DIÁRIO REFLEXIVO ( 22/11/12)
“As competências para ensinar no século XXI”, livro de Perrenoud e Thurler que trata da formação de professores e o processo de avaliação foi tema de nosso seminário hoje.

O tema é também parte de minhas indagações e os desafios que tenho encontrado como firmadora de professores. Perrenoud começa seu livro falando da estreita ligação entre a finalidade da escola e a formação de professores. Se a escola tem o objetivo de ensinar saberes como a ética, o confronto com as incertezas, a compreensão e princípios de um conhecimento relevante, é vital que os professores sejam formados para tal.

Lendo os primeiros capítulos posso observar e compreender melhor as barreiras que tenho encontrado. Por que é tão difícil envolver professores mais experientes em novas propostas pedagógicas? A resposta pode estar também no modelo de formação dos dias de hoje. A compreensão das necessidades de aprendizagem dos alunos de hoje requer o repensar do processo avaliativo.

No capítulo 2, com a apresentação da Gyzely pude compreender um pouco mais sobre a proposta de ciclos e da progressão continuada. Pessoalmente, não via com bons olhos essa proposta. Em minha visão simplista e tradicional, questionava o valor de aprovar um alunos que tem mostrado dificuldades.

Percebo agora que a questão principal não é o fato de aprovar ou reprovar o aluno mas sim garantir o direito dos alunos aprenderem, é preocupar-se com resgatar o aluno que ficou pra trás, é respeitar o tempo de aprendizagem de cada um.

Um grande problema que percebo é que muito pouco se faz a respeito de resgatar as dificuldades, de maneira contínua, formativa e principalmente respeitando os alunos.

E como atingir esse objetivo se os próprios professores não são formados desse modo?

O capítulo 4 fala sobre o desafio do desenvolvimento profissional dos professores. Segundo a autora, O modelo de formação praticado atualmente, na verdade, reforça os elementos que o mesmo processo de formação tenta combater. Os autores propõem então um novo modelo de formação que não venha de cima pra baixo mas de professores trabalhando em conjunto em comunidades aprendizes em busca de seu próprio desenvolvimento.

A leitura me fez pensar nos momentos de formação continuada que posso ajudar a construir na escola onde trabalho. Como sugerido por Maria Inês em resposta a meu último diário reflexivo, tentarei criar espaços para grupos de estudo onde podemos juntos entender melhor nossa prática e encontrar novos caminhos.