Diário Reflexivo 20/09/12
Hoje iniciamos a aula com apresentações de capítulos que faltavam do livro de Luckesi. Comecei a apresentação com o ultimo capitulo do livro, a parte que me foi designada para leitura . Baseei minha apresentação nas anotações feitas por mim durante a leitura e à medida que falava sobre minha leitura, Maria Inês completou com informações e nossos colegas levantaram questões para discussão.
A contribuição de cada um com sua vivência de sala de aula e interpretação , sem dúvida, enriquece muito a leitura . O capitulo 9 do livro de Luckesi, me fez refletir muito sobre minha prática de sala de aula. Como mencionei em durante a aula, discordo um pouco com Luckesi ao associar o estado atual da prática de avaliação com a sociedade burguesa / capitalista. Acredito que excluir o outro é muito mais uma questão moral do que somente política. Se acredito que todos têm direito à educação e minha função como educadora é possibilitar, auxiliar, mediar a construção do conhecimento de meus alunos, então o processo avaliativo deve servir como instrumento para diagnosticar como essa construção de conhecimento está se dando e onde é necessário um redirecionamento.
Nos libertar dessa visão de certo/errado, aprovado/reprovado e "acolher" a produção do aluno como algo a ser respeitado, acredito seja o ato amoroso do qual Luckesi fala. É levar em consideração o progresso individual de cada aluno , respeitando suas contribuições e olhar sua produção com vistas a propiciar maior progresso e não para excluir ninguém.
As discussões foram muito interessantes. Renato com seu jeito divertido e sincero, verbalizou seu descontentamento com o termo “amoroso” de Luckesi. Não vejo a conotação negativa de que o “amoroso” seja uma visão utópica e talvez paternalista com os aprendizes. A meu ver, o termo “amor” de Luckesi está mais relacionado à palavra respeito e acolhimento.
Outra discussão vibrante foi sobre o caso da garota de 13 anos que escreve no facebook sobre sua escola. Entendo as preocupações do Renato de que os professores ficaram muito expostos e talvez prejudicados pela atitude da aluna, no entanto, acredito que sua atitude em verbalizar sua insatisfação é legítima e é uma prova de que os problemas da educação brasileira devem sim estar em discussão. A exposição de fotos e comentários da aluna incomodam sim , chocam e mexem conosco. E pelo visto este incômodo surtiu efeito, mobilizando professores, a diretora, a superintendência e até mesmo outros alunos. Será que era mesmo necessária uma exposição negativa como essa, publicamente, da vergonha de uma escola pública brasileira, para que providências fossem tomadas? Pelo visto, foi necessário sim.
Nós que estudamos e trabalhamos com a área de tecnologia educacional, temos mais uma função em nossas mãos que é a de orientar nossos alunos dos propiciamentos da internet, ajudando-os a perceber que além de ser um ambiente de jogos e interação, a internet também pode ser um espaço de protesto e mobilização.