Diário Reflexivo ( 04/10/12)
O dia de hoje foi dedicado para iniciarmos o seminário sobre o livro de Alvarez Mendes sobre avaliação. Gostei muito da leitura que veio para contribuir um pouco mais com a nossa reflexão sobre o tema da disciplina.

Renato , com seus comentários instigantes, brincou dizendo que estamos passando por uma lavagem cerebral , kkkkkkkkk. Bom, por um lado a lavagem cerebral é eficiente em fazer com que as pessoas pensem somente de uma maneira, no entanto, esta mudança de crenças, a meu ver, se dá de maneira arbitrária e sem reflexão, o que definitivamente não é nosso caso.

Percebo sim, uma mudança na concepção de avaliação em minha própria prática. Quanto mais lemos, discutimos e refletimos mais sinto os olhos atentos para as incongruências de como avalio meus próprios alunos.

Não sei se é coincidência ou se minha participação nesta disciplina vem desencadeando mudanças. No meu trabalho a semana passada, participei de uma discussão sobre a necessidade de alterarmos a avaliação oral feita no meio do semestre. Há vários anos, o formato de nossa avaliação oral assemelha-se muito à avaliação oral dos exames de Cambridge, onde os alunos são avaliados em duplas e durante 10 minutos devem desenvolver conversação. Como muitos de nossos alunos prestam este exame, pensava-se que estaríamos de certa forma auxiliando nossos alunos avaliando-os com uma proposta similar. Mas a discussão agora é, mas será que esse é o objetivo principal de nosso trabalho? É preparar alunos para exames internacionais ou é facilitar a aprendizagem do idioma para a vida?
Após uma discussão entre os coordenadores e direção da escola, decidimos conversar com alguns professores mais experientes e convidá-los para uma reflexão de como poderíamos alterar a avaliação oral do meio do semestre . Surgiram algumas sugestões e nos decidimos por pilotar a proposta de prepararmos uma aula com várias atividades comunicativas normalmente presentes em nossas aulas e utilizar deste momento para caminharmos entre os grupos e observar como eles utliizam a língua inglesa.

Além de coordenadora de tecnologia, sou também professora de duas turmas. Na aula anterior à avaliação oral, falei sobre os critérios nos quais os alunos seriam avaliados e o que esperava da atividade. Ao invés de utilizar a avaliação tradicional com meus alunos, organizei quatro atividades de interação em forma de carrossel . Organizei as carteiras da sala em 4 grupos e para cada grupo ou estação reservei uma atividade. Por exemplo: a tarefa do grupo um era utilizar cartas com perguntas para iniciar uma conversação, em outro grupo, os alunos jogavam um dado e o número indicava um tópico sobre o qual o grupo deveria discutir. Foi reservado um período de 7 minutos para cada atividade e à medida que o tempo se esgotava, o grupo mudava para a próxima estação e a próxima atividade. Durante 30 minutos, fiquei gratamente surpresa com o engajamento e o entusiasmo dos alunos nas discussões. Enquanto eles conversavam em grupo, eu pude andar de grupo em grupo observando o uso da língua e como poderia auxiliá-los a progredir um pouco mais. Ao final da atividade, perguntei aos alunos o que tinham achado e ouvi comentários como “é mais interativo” , “tem menos pressão” , “a gente conversa muito mais”.

Na semana que vem, que será a próxima aula, será o momento de dar um retorno aos alunos com comentários e notas, como é exigido pela escola. Sei que ainda tenho muito a aprender e refletir sobre o assunto mas fico muito feliz em ver os deslocamentos que a disciplina tem provocado na minha vivência de sala de aula.
Acho que o relato acima, não fala muito sobre nossa aula de ontem na universidade mas acredito que estas reflexões e as tentativas de mudança são o principal componente da disciplina, não é verdade?